Mais do que registrar fatos do prestigiado lançamento da Revista Politika, de Fabiano Gomes, na manha desta quarta-feira, é preferível refletir sobre excelente matéria de capa do primeiro número da revista.Onde está o prefeito?, pergunta a revista, que traz um quadro absurdo da política paraibana. Prefeitos que não residem na cidade na qual foram eleitos. Politika identificou pelo menos nove exemplos.
Entre eles, os prefeitos de Alcantil, Barra de Santana, Boa Vista, Cacimba de Areia, Capim, Mulung, Matinhas, São José de Espinharas e São Francisco.
Injustificável. Não tem essa de dizer que não importa onde o prefeito mora, mas sim importa o que ele faz. Ora, ninguém faz campanha fora da cidade. Porque, depois de eleito, não pode morar no município?
É na cidade onde tudo acontece. E, diferentemente do governo estadual e federal, são as prefeituras que precisam dar a resposta mais urgentes aos problemas da cidade. O prefeito que não mora onde atua, além de revelar certo desprestígio pela cidade que representa, não tem condições de dar respostas tão rápidas quanto aqueles que vivem o dia a dia do município.
E não tem essa de “fugir do assistencialismo”. Quem não queria ser importunado, não pode ser político. Um dos prefeitos ouvidos pela revista, Manoel Almeida, de Barra de Santana, mora em Campina Grande. Ele disse que essa história de morar no município é besteira, porque o prefeito tem que buscar é recursos para sua cidade. E vai buscar em Campina é, pedro Bó?
Se fosse pra buscar recursos, prefeito tinha que morar em Brasília ou ao lado do Palácio da Redenção.
Já o presidente da Famup, Buba Germano, declarou que a imprensa deveria estar preocupada com o que faz o prefeito, mas não onde ele mora. Buba não sabe que o prefeito deveria ser honesto, então, pra dizer aos seus munícipes que a cidade onde eles vivem não presta pra morar, apesar de tudo que se possa fazer por ela.
Luís Tôrres
Os cem primeiros dias de uma nova gestão são tidos como um marco simbólico. É como se o centésimo dia servisse para o cidadão vislumbrar como será todo o restante da gestão. Muitas vezes uma coisa nada tem a ver com a outra. Mas é assim e pronto: se o centésimo dia de governo for bom é um prenúncio de uma gestão próspera; se for apagado, é um mau presságio.
