11/03/2010 12h45 - postado por Luís Tôrres
Ricardo Coutinho: não dá pra fazer omelete sem quebrar ovos

Não se faz unidade sem a figura do agregador

 

A unidade das oposições, ou de qualquer outro bloco político, econômico e social, passa, entre tantos, por um elo fundamental. A figura do elo agregador. Além, claro, dos objetivos em comum. Mas a figura do elo agregador é imprescindível. E eis que as oposições na Paraíba encontram seu maior problema: o prefeito Ricardo Coutinho não é do ponto de vista político um exemplo de construção de unidades. 
A não ser pela tendência. Dificilmente, pelo assédio.
 Por ter apresentado bons desempenhos no início dos processos eleitorais de 2004 e, depois, em 2008, Ricardo sempre agregou por tabela. Queriam ficar com ele porque ele “iria ganhar”. A velha história da expectativa de poder.  
Como o cenário em 2010 é diferente, visto que o adversário é um governador do Estado que tem significativa parcela do eleitorado, Ricardo se encontra num desafio. Tinha obrigação de ser agregador por natureza, mas sua natureza não deixa.
Tato, jogo de cintura, habilidade são requisitos que, numa campanha acirrada, saem da condição de secundários para ocupar espaço de relevância dentro do debate. É perigosa a transferência dessa missão para o ex-governador Cássio Cunha Lima. O candidato ao governo é Ricardo. E dele que a classe política espera afagos.
Soube, inclusive, de que o ex-governador Cássio Cunha Lima se esforçou, quando esteve recentemente em Brasília, para colocar Ricardo Coutinho no telefone com o presidente do PTB paraibano, Armando Abílio. Não se trata de dizer se Armando está certo ou não. Trata-se de agregar a todo custo.  
Especialmente, repito, numa disputa acirrada.
Unidade que se faz pela força exige mais voto.
 
Luís Tôrres
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11/03/2010 06h49 - postado por Luís Tôrres

Números da Consult reforçam tese da unidade das oposições

Pesquisa revela que metade da Paraíba quer votar em Maranhão. A outra metade, não

 

 
Não dá pra negar que a pesquisa Consult chega às ruas eivada de suspeitas. Além de ser pesquisa publicada pelo Sistema Correio da Paraíba, cujo dono é um senador politicamente ligado ao governador Maranhão, houve confusão na divulgação de outros números por apresentadores da Correio FM em Campina Grande e um silêncio sepulcral do Sistema quanto ao tema.
 
E toda pesquisa sofre do mesmo mal: elogiada por quem está na frente e questionada por quem está atrás.
 
Mas ninguém pode considerar que o Instituto Consult, com anos no mercado, pudesse permitir qualquer tipo de manipulação dos seus dados.
 
Tomando-os, portanto, como os números devidamente apurados entre os eleitores paraibanos temos um cenário de divisão que há 12 anos vem permeando a Paraíba. Uma metade vota em Maranhão e a outra não vota.
 
Ou seja, em termos gerais, 40% dos entrevistados disseram que votam no governador para reeleição. Outros 40%, que representam a soma dos que disseram votar em Ricardo Coutinho e em Cícero Lucena, disseram que não querem o governador reeleito.
 
De cara, e não precisa ter anos de análise política, se percebe que os números da Consult reforçam a tese da unidade das oposições. Juntos, os votos de Ricardo e Cícero (41,3%) chegam a superar os votos do governador Maranhão.
 
Pena que o Jornal Correio da Paraíba, não se sabe por qual razão editorial, preferiu suprimir o resultado do confronto direto entre Maranhão e Ricardo Coutinho. Informação que constava no questionário usado pela Consult. Esse dado poderia nos dar um cenário mais claro da importância da unidade das oposições.
 
Coisa que mais assusta Maranhão hoje em dia. Por isso, que ele se empenha tanto em não permití-la.
 
 
Curtas
 
 
Engraçado ler um colega da imprensa criticando o Ibope, mas sendo obrigado a usa-lo como referência para registrar que o prefeito Ricardo Coutinho caiu cinco pontos em relação à pesquisa da Consult. E que Maranhão subiu.
 
Mais engraçado ainda foi ver o mesmo colega suprimir que do Ibope para a Consult, se valesse a comparação, Cícero teria caído de 14% para 8%. Para ele, os 8% do senador tucano são sinônimo de “ostentação”.
 
Detalhe: o senador Cícero Lucena está melhor em Campina Grande do que em João Pessoa, conforme os números da Consult.
 
Vale registrar ainda o bom desempenho do governador das regiões mais adentro da Paraíba. Em algumas regiões, o Mago vai ter que viajar duas vezes para cada cidade se quiser tirar a diferença.
 
 
 
Luís Tôrres
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10/03/2010 01h33 - postado por Luís Tôrres

Porque ainda se mata a luz do dia na Paraíba

Sem policiamento ostensivo, não há como se pensar em segurança pública

 

A Paraíba vende a imagem de ilha da tranqüilidade no Nordeste. As estatísticas, os índices e, pior, os fatos revelam que estamos beirando à propaganda enganosa. É um contra senso matar a luz do dia, que se revela uma das ações mais sinalizadoras do avanço da violência numa metrópole, num estado que se diz o mais tranqüilo de todos.
 
Não se sabe o motivo real do assassinato da sexagenária Maria Méricles Guedes Feitosa, procuradora inativa do Estado, baleada sob o sol escaldante da tarde em Manaíra, na Capital. Mas a configurada ineficiência da segurança pública nesse caso independe da razão do assassinato.
 
Seja assalto, crime passional ou apenas um equívoco, fica claro que somente a sensação de impunidade e de liberdade de ação criminosa permite que alguém mate outra na rua em plena luz do dia.
 
Nem estou falando da lentidão dos inquéritos, da dificuldade de captura e das brechas da lei. Por enquanto, apenas da ausência de polícia.
 
A procuradora não foi assassinada na madrugada, em beco escuro ou abordada num matagal. Foi abordada no meio da rua, dentro do próprio carro, quando a claridade era tão grande que seria possível identificar o elemento a centenas de metros de distância.
 
E isso só aconteceu – e só acontecerá – porque o criminoso paraibano sabe da total incapacidade da política paraibana se fazer ao menos ostensiva, presente, assustadora. Não vemos policiais nas ruas. Preste atenção. É possível que você leitor saia de casa de manhã, passe o dia na rua e volte à noite sem ter visto um policial ou viatura da PM sequer.
 
E se é assim na Capital imagine no interior. Hoje mesmo, por coincidência, um caso curioso chamou a atenção do signatário do blog. Agredido fisicamente pelo prefeito de Fagundes, o vereador Daniel Lopes, do PMDB, procurou a delegacia da cidade para prestar queixa, mas não conseguiu o que queria. Motivo: não tinha delegado. Foi obrigada a viajar para Campina a fim de exercer seus direitos de cidadão na Central de Polícia.
 
Resumo. Falta pessoal. E pouco que tem é subutilizado. Por isso que, seja noite ou seja dia, vai se continuar matando na Paraíba. Tranqüilidade? Só a dos assassinos antes, na hora e depois do crime.
 
 
Luís Tôrres
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08/03/2010 19h30 - postado por Luís Tôrres

Traição pós convenções

 

Maranhão tem o PMDB. Ricardo tem o PSB. E pronto. Essa é a única conquista na íntegra. O restante das legendas - estejam elas formalmente definidas em termos de aliança ou não - vive em condições de impasse e divergências internas.
 
É assim com o PSDB, com o PT, com o PTB, com o PDT, PPS, PC do B, PR e por aí vai. Além de maranhistas, cassistas, ciceristas e ricardistas, existem “oportunistas” em cada uma delas, o que facilita a divergência.
 
E as regras de fidelidade partidária dificultaram ainda mais a purificação das legendas. Muita gente ficou onde está mesmo querendo sair.
 
Essa heterogeneidade partidária levará a disputa para dois campos: o campo formal, aquele que será decidido em junho durante as convenções, e que garantirá o tempo de televisão conforme a aliança firmada. E o campo informal, onde haverá pequenas “infidelidades”, já que dificilmente a aliança formal impede o voto fora do partido.
 
Ora, o momento solene de digitar o voto na urna ainda é secreto. O que não é segredo é que se os próprios eleitores são capazes de trair as lideranças políticas ainda mais.
 
Claro que, num primeiro momento, as forças que vão disputar o governo do Estado este ano devem brigar pela aliança formal. Ou seja, fechando acordos de baixo pra cima. Aquele feito na base da “canetada”.
 
Derrotado na primeira etapa, após junho, é hora de adotar o Plano B. Ou seja, fomentar dissidências internas e manter o apoio e voto deste ou daquele dissidente. Eles não darão tempo de televisão nem reforço nas chapas proporcionais, mas formarão um pequeno exército de combatentes da resistência.
 
Maranhão, Ricardo e Cícero sabem que poderão apelar, mesmo depois de junho, para o que é mais comum na política: a insurreição.  
 
 
Luís Tôrres
 
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04/03/2010 10h03 - postado por Luís Tôrres

Quanto custa para o Judiciário paraibano a influência da desembargadora Fátima Bezerra no governo Maranhão III?

Desembargadora Fátima Bezerra é vice-presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba

 

O governo Maranhão III nomeou 17 pessoas com sobrenome “Bezerra Cavalcanti”, o mesmo ostentado pela desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti, primeira-dama do Estado e vice-presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba.
 
A lista inteira, com nomes e cargos, foi lida pelos radialistas Fabiano Gomes e Fernando Caldeira, no programa radiofônico Linha Direta. Segundo eles, todos são parentes da desembargadora, a exemplo de Tereza Alice Bezerra Cavalcanti Teixeira, atual presidente do CENDAC e irmã da primeira-dama.
 
Além de levar questionamentos sobre nepotismo e apadrinhamento, o material pode muito ser agregado ao dossiê que o deputado federal Luiz Couto (PT) pretende levar ao Conselho Nacional de Justiça com base em denúncias de que o governador José Maranhão (PMDB) estaria usando o nome do Poder Judiciário para garantir apoios políticos em troca de “soluções na Justiça”.
 
Simplesmente porque a lista com 17 cargos comissionados da família Bezerra Cavalcanti, sendo integralmente verdadeira, comprova que a desembargadora Fátima Bezerra tem forte influência no governo Maranhão III.
 
O que precisamos saber realmente é se essa influência tem um preço para o Poder Judiciário como um todo. E se a Justiça, de forma indevida, está pagando por isso.
 
O CNJ e o Tribunal de Justiça da Paraíba, conforme bem frisou o desembargador Romero Marcelo, tem obrigação de nos dar essa resposta.
 
 
P.S: Ouça áudio abaixo com denúncia sobre nomeações de Bezerra Cavalcanti no governo Maranhão III.
 
 
Luís Tôrres
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