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Sinceramente, estão caindo no ridículo todos aqueles líderes do PMDB que defendem abertamente o enfraquecimento do comando do ex-governador José Maranhão à frente da legenda.
É inegável que terminou o ano desagradando a muitos. Que foi um governante duro. Nas ações e nas palavras. Disso ninguém duvida. A diferença está na compreensão de cada um. Há quem considere que ele “foi duro” porque a Paraíba precisava e há os que consideram que ele “foi duro” sem necessidade. Será a partir de 2012 que Ricardo deverá mostrar qual dos dois grupos está certo.
Tem uma gestão em franca expansão, precisando aprimorar alguns mecanismos, uma vez que algumas repostas administrativas anda mais lentas do que outrora. Mesmo assim, possui uma resposta positiva na maioria das áreas. Às vésperas de ser testado nas urnas pela primeira vez, entra em 2012 com o desafio de dizer – e comprovar - que tudo que acontece de bom em João Pessoa é por sua responsabilidade.
Sai de 2011 se livrando do pior dos pesos: o da cassação de mandato. É certo que ainda carrega resquícios de problemas eleitorais para 2012, mas com muito mais segurança que antes. Sofre em Campina Grande com o que qualquer outro gestor sofreria. Os que o admiram dizem que ele faz muito pela cidade. Os que o odeiam dizem que ele não fez nada por Campina. Ambos estão certos, na medida do possível. É um dos poucos que entra em 2012 de olho em 2014. Portanto, com o desafio de manter um “reinado” que o ajudará para o futuro. O que o obriga a acertar na escolha do seu sucessor. E sofrer o que Cássio sofreu em 2004 e 2008: tentar eleger alguém em Campina que não seja ele mesmo.
problemas jurídicos, ficou com o caminho livre em Brasília. Ocupou cargos de destaque, manteve relações presidenciais, peitou ministros, avançou tanto que entra 2012 cotado até a presidente do Senado. Já tem tamanho pra, nacionalmente, garantir pra si e para os seus o controle do PMDB da Paraíba. Ainda não agiu por esse caminho porque não quis. Só pecou quando quis ser oposicionista barato na Paraíba, em razão dos dois discursos. É melhor como aliado de Dilma do que como opositor a Ricardo.
Quando assumiu a primeira-secretaria do Senado, pela qual é responsável por orçamento gigante, diziam que teria problemas com a imprensa nacional. Desacreditou tais especulações. Passou ileso em 2011 no que diz respeito ao cargo, mas não conseguiu se livrar de fantasmas passados. Entra em 2012 réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal por causa da Operação Confraria. Mesmo assim, se apresenta como um dos melhores nomes da oposição na eleição pra prefeito da Capital. Crescerá apenas na medida em que Luciano Agra se atrapalhar.
Principal figura política da Paraíba, sofria desde 2009 com o complexo de ser líder sem mandato. Totalmente curado, ressuscitou em carne e osso em 2011, ao ter o mandato de Senador da República assegurado e, com ele, o fim da via crucis jurídica. Seu maior desafio agora, por incrível que pareça, é de ordem política. Oposição ao governo federal, tem dificuldades em exercer um mandato que a Paraíba espera. Substitui uma figura como Wilson Santiago, que entrava e saia dos ministérios como quem freqüenta um shopping center, disposto a comprar. Terá que usar de sua criatividade, experiência e competência pra se superar. Tem papel preponderante nas eleições municipais de 2012. E mais um dilema político: ser Cícero Lucena ou não ser, eis a questão.
Tem dificuldades em deixar o gosto do poder. Impressiona pelo vigor físico, apesar da idade avançada, mas sabe que, em matéria de política, vive do que já foi e não do que é. Deve manter a tese de candidato a prefeito de João Pessoa para manter-se à frente do debate político do PMDB o quanto puder. Mas ninguém sabe ao certo se colocará seu nome num santinho nas eleições de 2012. Entra em 2012 com um dos maiores desafios de sua vida: manter o controle, sem ter caneta, de uma legenda repleta de lideranças com mandato. E insatisfeitos.
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Apesar de não se furtar a dizer o que pensa quando provocado, ele é pouco afeito à mídia e age quase sempre discretamente. Talvez, por isso mesmo, poucos consigam notar que o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, deputado Ricardo Marcelo (PSDB), vem se consolidando com uma das principais lideranças políticas do Estado. Mas não se engane. Ele está.
No comando da Assembleia Legislativa ele conseguiu três feitos principais.
Um: mantém uma relação harmônica com o governo Ricardo Coutinho, mas preservando a autonomia do Legislativo. Ou seja, fazendo apenas o que acha que deve fazer.
Dois: conduz a imagem da Assembleia Legislativa protegida de escândalos que são comuns no parlamento paraibano.
Três: atua de forma a manter unidos e sob suas asas todos os demais 35 deputados estaduais. Ricardo Marcelo é praticamente uma unanimidade entre os parlamentares.
Além disso, paga os salários dos servidores rigorosamente dentro do mês trabalhado, valoriza a história do parlamento ao instituir o Memorial da Assembleia Legislativa e ainda luta para a construção de uma nova sede para a Casa.
Vem se mostrando, portanto, um administrador e um político de resultados.
Não é por menos que Ricardo Marcelo alimenta e vem pavimentando projetos mais ousados para 2014. Ao vê-lo ontem visitando Cajazeiras e dando entrevista coletiva deu pra notar isso com nitidez. Com certeza, será um nome inserido na lista daqueles que disputarão vagas majoritárias. Uma vaga de candidato a vice-governador da Paraíba ou de Senador da República, inevitavelmente, está no meio do seu caminho.
É de bom alvitre, então, que as lideranças políticas da Paraíba comecem a olhar com Ricardo Marcelo com outros olhos.
No PSDB, por exemplo, onde os senadores Cássio Cunha Lima e Cícero Lucena travam há tempos uma disputa velada entre o posto de maior liderança da legenda no Estado, e bom que se reserve espaço para a importância de Ricardo Marcelo.
Ele avança no sentido de se tornar um fiel da balança.
Luís Tôrres